Desafios jurídicos do marketing digital contemporâneo

Por Parceria Jurídica

16 de fevereiro de 2026

O marketing digital transformou a forma como empresas se comunicam com seus públicos, ampliando alcance, segmentação e capacidade de mensuração. Entretanto, essa evolução tecnológica trouxe consigo uma série de desafios jurídicos que exigem atenção constante de gestores, advogados e profissionais da área. A coleta massiva de dados, o uso de algoritmos e a publicidade direcionada criaram um ambiente regulatório mais complexo.

No Brasil, a entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados, conhecida como LGPD, redefiniu padrões de coleta, armazenamento e tratamento de informações pessoais. Paralelamente, questões relacionadas a direitos autorais, responsabilidade civil e transparência publicitária passaram a ocupar posição central nas discussões jurídicas.

Empresas que atuam no ambiente digital precisam alinhar estratégias de marketing à conformidade legal, evitando sanções administrativas e danos reputacionais. A governança adequada de dados e conteúdos tornou-se requisito indispensável.

A seguir, são analisados os principais desafios jurídicos do marketing digital contemporâneo, considerando aspectos normativos e implicações práticas para o setor empresarial.

 

Proteção de dados e consentimento informado

O crescimento do marketing moderno está diretamente associado à coleta e análise de dados pessoais. Contudo, a LGPD estabelece que o tratamento dessas informações deve ocorrer com base em fundamentos legais claros, como consentimento específico e informado.

Empresas precisam garantir transparência quanto à finalidade da coleta, prazo de armazenamento e compartilhamento com terceiros. Políticas de privacidade devem ser redigidas de forma acessível e objetiva, evitando termos excessivamente técnicos que dificultem compreensão.

Além disso, titulares de dados possuem direitos como acesso, correção e exclusão de informações. O descumprimento dessas obrigações pode resultar em sanções administrativas e responsabilização civil.

 

Publicidade, oferta e responsabilidade civil

A análise da evolução do marketing demonstra que as práticas publicitárias tornaram-se mais sofisticadas e segmentadas. Entretanto, a legislação consumerista mantém o princípio da veracidade da oferta e da vedação à publicidade enganosa ou abusiva.

Anúncios online devem refletir fielmente as características do produto ou serviço anunciado. Informações omissas ou promessas não comprovadas podem configurar infração ao Código de Defesa do Consumidor.

A responsabilidade civil pode ser solidária entre anunciante, agência e plataforma digital, dependendo das circunstâncias. A definição de responsabilidades exige análise cuidadosa do caso concreto.

Essa realidade reforça a necessidade de revisão jurídica prévia de campanhas publicitárias digitais.

 

Direitos autorais e uso de conteúdos digitais

No contexto do marketing digital, a utilização de imagens, músicas, vídeos e textos exige observância às normas de direitos autorais. A reprodução ou adaptação de obras protegidas sem autorização pode gerar responsabilidade judicial.

Mesmo conteúdos disponíveis na internet estão sujeitos à proteção legal, salvo quando expressamente licenciados sob modelos específicos, como licenças abertas. A verificação da titularidade e da autorização de uso é etapa fundamental.

Além disso, o uso de imagem de terceiros em campanhas publicitárias depende de consentimento prévio, especialmente quando há finalidade comercial. A violação pode ensejar indenização por danos morais.

A gestão adequada de direitos autorais integra a governança jurídica das estratégias digitais.

 

Plataformas digitais e responsabilidade sobre avaliações

Ferramentas como Google Meu Negócio para marketing ampliam visibilidade empresarial, mas também levantam debates sobre responsabilidade por avaliações e comentários de usuários. A moderação de conteúdos ofensivos ou falsos é tema recorrente em decisões judiciais.

Plataformas intermediadoras podem ser responsabilizadas caso deixem de remover conteúdos ilícitos após notificação adequada. Por outro lado, é necessário preservar liberdade de expressão e direito à crítica legítima.

Empresas devem monitorar reputação digital e adotar procedimentos formais para contestação de avaliações manifestamente indevidas. A atuação preventiva reduz riscos reputacionais e jurídicos.

O equilíbrio entre transparência e proteção jurídica exige análise cuidadosa das circunstâncias específicas.

 

Inteligência artificial e decisões automatizadas

A utilização de IA para marketing introduz novos desafios regulatórios, especialmente no que se refere a decisões automatizadas baseadas em perfis comportamentais. A LGPD assegura ao titular o direito de solicitar revisão de decisões tomadas exclusivamente por algoritmos.

Além disso, algoritmos podem reproduzir vieses discriminatórios se alimentados por dados históricos enviesados. A responsabilidade pela correção desses modelos recai sobre as empresas que os utilizam.

A transparência algorítmica, ainda que técnica, deve ser compatível com o direito à informação do consumidor. A adoção de políticas internas de auditoria e compliance tecnológico é recomendada.

 

Compliance digital e governança jurídica estratégica

Para enfrentar os desafios do marketing digital contemporâneo, empresas precisam implementar programas de compliance específicos para o ambiente online. Isso inclui treinamentos internos, revisão periódica de contratos e auditoria de práticas de coleta de dados.

A integração entre departamentos jurídico, marketing e tecnologia fortalece a cultura de conformidade. Decisões estratégicas devem considerar riscos regulatórios desde sua concepção.

Contratos com agências, influenciadores e fornecedores devem delimitar responsabilidades e prever cláusulas de proteção de dados e propriedade intelectual.

Ao alinhar inovação tecnológica com segurança jurídica, o marketing digital pode se desenvolver de forma sustentável, preservando direitos fundamentais e consolidando confiança nas relações comerciais digitais.

 

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